domingo, 1 de maio de 2011

A felicidade de uma mãe


Chuva, enchente, trânsito caótico. Sua volta para casa foi terrível! A primeira coisa que Hikari faz ao voltar cansada depois das aulas é tirar os calçados dos pés, o relógio do seu pulso e o mais rápido possível dirige-se ao seu banho. Com 19 anos é o primeiro ano na faculdade e cursa artes. No decorrer do ano, Hikari conhece Joe, um aluno da mesma universidade. Os dois se encontram de vez em quando e, aos poucos a paixão por ele vai crescendo... Os encontros são cada vez mais constantes. Hikari muito feliz e confiante, para ela está tudo maravilhoso! As amigas que percebem algo na atitude meio estranha do rapaz querem alertá-la, mas obcecada pela paixão, ela nada aceita. Cega, surda, totalmente indiferente diante dos conselhos, ela está certa de que a felicidade a apoderou para sempre e continua curtindo os momentos gostosos a dois... Porém, nos meses de férias do fim do ano os encontros dos dois já não acontecem como antes. Sempre a desculpa vem da parte dele: - querida; estou doido para ir vê-la, abraçá-la, beijá-la, mas infelizmente amanhã tenho um compromisso inadiável e não vai dar! Desta forma, com desculpas e mais desculpas, a temporada de férias chega ao fim e, apenas duas vezes durante as férias os dois se encontraram.
Começam as aulas do segundo ano. Hikari, bastante irritada e triste procura pelo Joe e se reencontram:
- Que coisa! Tive tanta saudade, senti tanto sua falta e você sempre ocupado!
- Pois é - não fui legal pra você, mas agora estou aqui de novo - perdoe-me, de hoje em diante estamos juntos novamente!
- Está bem, está perdoado seu bobo! E os dois voltaram a se encontrar novamente e com freqüência. Mas, aos poucos aquela chama alta da paixão foi-se abaixando, o calor diminuindo, até que chegou o momento dela perceber que ele não a ama o suficiente para levar adiante essa relação. Sente-se arrependida – fica enraivecida de si mesma por gostá-lo tanto e ela está bastante insegura; os dois decidem dar um tempo para analisar melhor. Dois meses depois, Hikari descobre que ela está grávida! Assustada com a surpresa acha melhor comunicar ao Joe, porém fica confusa, e nessa indecisão o tempo vai passando e o ventre crescendo... Toma fôlego, resolve dividir o peso do acontecimento comunicando que ele será o pai da criança e telefona para Joe, com alguma esperança. Mas,...
- Como? Reatar a nossa relação? Isto é impossível! Agora eu tenho outra mulher na minha vida. Vire-se! E desligou com violência.
Diante da fria atitude do Joe, Hikari sente-se derrotada e pensa em interromper a situação em que se encontra - praticando o que não deve. ‘ Será muito difícil ser mãe e pai ao mesmo tempo ’ pensa. Chora muito! Entretanto, o seu coração de mãe grita mais alto, pensa melhor e decide assumir sozinha: - se Deus permitiu, por que eu não posso sustentá-lo? Com certeza, Deus vai me ajudar quando for preciso e conseguirei criar - junto com a santa proteção Dele! Eu errei, mas farei de tudo, me esforçarei o máximo que puder e o meu filho crescerá sadio e bonito. Sei que será difícil, mas um dia o meu filho terá que entender! -“Seja feita a vontade de Deus”.
No primeiro dia do novo ano nasceu o seu filho, um menino. Hikari teve a ideia de colocar o nome do falecido pai para o neto, e Justo era o seu nome. - Portanto, o meu filho será chamado de Justo e assim registrou.
Para poder criar seu filho parou de estudar e ainda em casa dedicava-se aos serviços de artesanato. Todavia, a dificuldade era grande para sustentarem-se com tão pouco que ganhava. Quando Justo completou três anos Hikari resolveu: - vou trabalhar de assalariada, assim posso ter o recebimento certo acima do que ganho hoje e será melhor! Arrumou emprego noturno, contratou babá para ficar cuidando do menino durante o tempo que ficaria fora. No momento da saída para o serviço o pequeno Justo agarra firme na saia da mãe e chora, pois ele é um menino muito esperto e inteligente, tenta impedir a partida da mãe, porém o jeito é deixá-lo aí e fecha a porta na cara dele. E assim, todas as noites repetindo as mesmas cenas, sempre com o coração transpassado de dor, ela continua indo ao serviço e volta às 2 horas da manhã. De retorno em casa vê o menino dormindo profundo e finalmente ela se contenta...
Enfrentando dificuldades passaram-se os seis anos, trabalhando nesta mesma luta. Mas, vendo o seu filho agora com nove anos sempre tão solitário, sem pai, resolve parar de trabalhar fora e diz:
– Querido, parei de trabalhar fora e de hoje em diante a mamãe vai ficar mais perto de você e colaborar melhor naquilo que você precisar! Disse. Daí a resposta totalmente inesperada do filho:
- Até hoje eu vi a senhora se esforçando tanto por minha causa e agora que estou mais crescido diz em desistir? Deveria fazer o contrário, mãe! E a abraça...
Diante desta atitude surpreendente do filho Hikari chora comovida; “meu filho!” Diz. Daí para frente ela ganha novo ânimo e, entusiasmada vai trabalhar num salão de cabeleireira bastante famosa que fica perto da sua casa. Em pouco tempo ela se destaca entre outras funcionárias como a mais jeitosa, conquistando preferência das freqüentadoras e torna-se uma excelente profissional em pouquíssimo tempo. Hikari cada vez mais conhecida e querida na sua cidade abre o seu próprio salão de belezas e os anos passam... Vai ano, vem ano. O filho Justo consegue entrar numa faculdade, a vida é desafiante, mas ela só progride...

Finalmente chegou o dia da colação de grau do seu filho. A mãe Hikari, toda feliz está presente na cerimônia. O filho Justo é o orador escolhido pela turma e ele inicia o discurso externando todo seu sentimento de gratidão a Deus, aos mestres, aos colegas, aos amigos e, no final ele dirige suas palavras de agradecimentos à sua mãe dizendo; “neste momento estou aqui diante dos convidados presentes, orgulhoso pela vitória que conquistei de uma etapa da vida como estudante, e estou pronto para aplicar na minha profissão, tudo que aprendi nesses anos, graças à minha mãe batalhadora que sempre soube lutar por mim. A ela, o meu especial muito obrigado!” Imediatamente Hikari levanta do seu lugar, vai em direção do filho e o abraça forte. Pega o microfone, olha para o filho e diz: - “meu filho; além da ajuda de Deus, você foi sempre à causa, o presente, a força, a superação, para eu poder chegar até aqui aonde cheguei! Sou muito feliz!” E, os dois se abraçam chorando e rindo ao mesmo tempo...

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