Quando criança, detestava brincar com boneca de pano. A boneca de pano ficava sempre olhando para o mesmo lugar, sempre imóvel e sem nenhuma iniciativa. Minha preferência mesmo era brincar com criaturas de Deus, seres vivos inocentes que não causam nenhum perigo às crianças. Bonitinhos, engraçadinhos e que são muito interessantes!
Uma vez, peguei um saquinho de ovos que o louva-a-deus deixou colado no galho de um arbusto. Para quem nunca viu, tem a cor da folha seca - marrom, seu formato é semelhante a uma unidade de nhoque, daquela massa conhecida que se come com molho geralmente de tomates e queijo ralado espalhado por cima. Pois bem. Por que fiz aquilo não sei, quando criança a gente não pensa tanto, só pensa em brincar naquele instante e está tudo certo. Sei que peguei aquele cachinho e coloquei no bolso do meu casaco avermelhado, feito com tecido de flanela xadrez. Ali coloquei e simplesmente esqueci...
Nos dias seguidos não fez frio e o casaco ficou pendurado. Quando eu usei novamente depois de alguns dias, enfiei a mão no bolso por causa do meu costume. Estranho! Algo meio frio e se movimentando dentro... Vocês podem não acreditar, mas é pura verdade! Quando olhei, dezenas de filhotes de louva-a-deus da mesmíssima cor do meu casaco estavam aí! Tirei-os para fora do bolso e fiquei olhando...
De pernas dobradas e mãos postas, num gesto de oração, os pequenos insetos pareciam elevar a Deus sua prece pedindo:
- Ó Deus; ajudai a nossa mamãe conseguir comida para nós, pois estamos morrendo de fome, Senhor!
Acho que pensaram que eu era a mãe deles...
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