De manhã, admirada, a mulher observa as gotículas de orvalho sobre as folhas verdes do seu jardim. Ela tenta coordenar suas idéias, pois acabara de levantar da sua cama aconchegante, tomado seu banho matinal e o seu semblante ainda parece estar bastante sonolento.
Branco muito branco, caseiro ou industrializado, é cozido em água abundante e bem fervente por alguns minutos. Lava-se em seguida na água fria. Fios que se enrolam do fundo até a borda da tigelinha de porcelana, por cima guarnecido com camarão, bolinho de legumes, cebolinhas picadas e tudo que desejar acrescentar. Finalmente, por cima de tudo o caldo delicioso preparado com bom gosto e bem quente, e está pronto para servir! É o macarrão especial japonês denominado UDON - mas, udon é mais apropriado para o dia de inverno! ...Pensativa, Dona Aninha entra na casa, vai até a dispensa, aí está um enorme armário com alguns rabiscos, sinais de que crianças passaram por aí fazendo suas artes. Dentro dele as louças estão bem guardadas. Ela retira as travessas, os pratos, os talheres, os copos e tudo que deseja. Em seguida vai lavando muito bem para garantir a limpeza, pois o tempo sempre acumula algumas sujeiras. Da gaveta retira uma linda toalha de mesa bordada, resultado da arte e criatividade que as suas mãos incansáveis trabalharam por longos dias. Tudo é cuidadosamente organizado. Afinal, domingo é o dia do seu aniversário e o dia mais aguardado por ela. Os filhos e netos virão passar um dia gostoso, nesta casa ampla e acolhedora!
“Ela decidiu que o prato principal vai ser uma bela macarronada com molho suculento e aquele sabor todo especial, segredo da Dona Aninha.”
Dona Aninha não quer esquecer nenhum detalhe. Pega o telefone, encomenda as compras e pede para entregar junto as bebidas. Faz questão do seu vinho predileto, repetindo o nome.
Na véspera, tudo está devidamente preparado para o dia seguinte. A carne temperada está pronta para assar, os legumes e as verduras lavadinhos e limpos.
No quintal, a jabuticabeira carregada de frutas pretas e brilhantes, ótimo ponto para serem colhidas. As flores abertas no jardim, até parece que elas colaboram para que tudo fique perfeito para a Dona Aninha poder passar o dia mais feliz da sua vida!
A idade beirando os setenta, os preparativos, a ansiedade, tudo contribuíra e, o seu corpo estava cansado... – tudo está do jeito que desejei... – sentou devagarzinho na cadeira de balanço da varanda. Primeiro olhou distante, depois olhou para o beija-flor que passou em sua frente, quase parando no ar por alguns instantes, como se tivesse cumprimentando a meiga senhora. Em seguida Dona Aninha cerrou os olhos – amanhã..., transpôs para o futuro e imaginou estar aí rodeada de filhos e netos queridos, recebendo beijinhos e agrados. Qual uma criança carente, à espera de carinho.
A gostosa sensação que a envolveu, fez adormecê-la ali...
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